Com a chegada do mundo virtual imprudentemente abandonamos os antigos e seguros impressos, e passamos a registrar e armazenar praticamente tudo em mídias que não vemos, que não podemos pegar nas mãos, que é completamente inseguro e instável: o encantador e glamoroso mundo virtual.

Durante o último encontro de famílias coreanas afastadas há quase setenta anos, as fotografias físicas anteriores  às separações foram as principais protagonistas do evento, provocando grandes emoções; as mesmas emoções com certeza não aconteceriam se fossem elas vistas nas telas frias de um computador ou celular. Isso se elas ainda existissem o que é muito improvável, pois a velocidade das atualizações das versões dos “software” e dos “hardware”, torna arquivos incompatíveis ou definitivamente perdidos em poucos anos, imaginemos em décadas. Universidades americanas estimam que, mais de 30% do conhecimento criado por elas nos últimos quarenta anos, arquivado em múltiplos suportes virtuais, esteja já inacessível ou definitivamente perdido.

 

Evolução mecânica, eletrônica e estética das impressoras.

 

Muitos dos quem lêem esse artigo agora, já lamentaram com a perda de várias imagens de valor emotivo incalculável, simplesmente por elas não terem sido impressas; mas guardados em disquetes ou em outras mídias digitais que já se deterioraram, ou mesmo se intactos, não são mais possíveis acessar, seja pela descontinuidade dos aparelhos leitores ou atualização dos softwares.

Se registrar e arquivar momentos emotivos significativos da vida, confiando totalmente no mundo virtual já é um risco gigante, do lado financeiro não ter os registros físicos (papel) dos seus recursos, impressos com frequência e bem guardados, ultrapassa a linha da imprudência. Se nessa manhã o Governo lançar algum pacote econômico travando todos os depósitos nos bancos, tipo um plano Collor, 99,99% da população não terá um só pedaço de papel para provar junto ao judiciário, eventuais divergências de valores dos seus ativos nos dois distintos momentos. O que a instituição financeira apontar ser o valor verdadeiro, terá que ser aceito pela outra parte bovinamente.

Num mundo cada dia menos ético, esse cenário por si só já é assustador. “Quod non est in actis non est in mundo – O que não está nos autos não está no mundo”, diziam os romanos. Faltou a eles acrescentar: no mundo real, não no virtual.

Enquanto não for possível se embrulhar e carregar no bolso uma sequencia de “bits”, até mesmo que por segurança da sobrevivência, devemos imprimir e deixá-lo bem próximo das nossas mãos, o que nos é relevante.

 

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